Trump, respeite os direitos humanos!

A Torre Trump em frente à sede da ONU em Nova York. Foto: Escritório da IPS na sede da ONU

A Torre Trump em frente à sede da ONU em Nova York. Foto: Escritório da IPS na sede da ONU

por  Tharanga Yakupitiyage, da IPS –

Nova York, Estados Unidos, 11/11/2016 – Numerosas organizações de direitos humanos reagiram à eleição de Donald J. Trump como presidente dos Estados Unidos, pedindo que ele reitere o compromisso de defendê-los, bem como cumpra suas obrigações internacionais. O presidente eleito fez seu discurso de vitória nas primeiras horas do dia 10, e declarou que o país deveria “sanar as feridas da divisão” e que pretendia trabalhar com, e não contra, a comunidade internacional.

“Quero dizer à comunidade internacional que, embora coloquemos os interesses dos Estados Unidos à frente, trataremos de forma justa todo o mundo, todos os povos e todas as nações. Buscaremos bases comuns, não a hostilidade, a associação, não o conflito”, destacou ao final de uma dura campanha.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, felicitou o 45º presidente dos Estados Unidos e destacou o importante papel que a nação norte-americana desempenha nas soluções e ações globais. “Como membro fundador da ONU e membro permanente do Conselho de Segurança, os Estados Unidos são um ator essencial no concerto internacional. Em todo o mundo, as pessoas olham esse país e seu notável poder para ajudar a impulsionar a humanidade e trabalhar pelo bem comum”, afirmou Ban.

O Conselho de Segurança tem 15 membros, cinco deles – China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia – com poder de veto. O novo governo deve fortalecer a cooperação internacional para defender e promover os objetivos em matéria de direitos humanos, acrescentou o secretário-geral. Por sua vez, o presidente do capítulo norte-americano da organização humanitária Oxfam, Raymond C. Offenheiser, concordou e ressaltou que a liderança dos Estados Unidos continua sendo necessária para lutar contra a pobreza global.

Offenheiser também pediu a Trump que lidere uma contundente e compassiva resposta às atuais emergências humanitárias, que criaram a pior crise de refugiados desde a Segunda Guerra mundial (1939-1945). “Esperamos que o presidente eleito reconsidere sua postura contra os refugiados que buscam a proteção dos Estados Unidos como último recurso. É uma época de solidariedade e compaixão, não de fechar nossa mente, nossos corações ou nossas fronteiras”, opinou o ativista.

Durante a campanha, Trump prometeu suspender o programa de reassentamento de refugiados sírios, pelo qual chegaram a esse país dez mil pessoas este ano. De fato, afirmou que representavam o “cavalo de Troia” que propagaria o extremismo e possibilitaria atos terroristas, e pediu um “escrutínio extremo”. Por sua vez, o diretor executivo da organização Human Rights Watch, com sede em Nova York, Kenneth Roth, apontou que Trump deve abandonar sua retórica contra os direitos humanos.

“Trump encontrou um caminho para a Casa Branca com uma campanha marcada por misoginia, xenofobia e racismo, mas esse não é o caminho para uma boa governança”, afirmou Roth. E acrescentou que “o presidente eleito deve se comprometer em conduzir os Estados Unidos de tal forma que respeite e promova totalmente os direitos humanos”. Desde que anunciou sua intenção de se candidatar, em junho de 2015, Trump fez numerosas declarações contra diferentes comunidades, como latinos, muçulmanos e mulheres, além de lançar propostas impactantes como a reintrodução de graves formas de tortura, como o submarino.

A diretora do capítulo norte-americano da Anistia Internacional, Margaret Huang, pontuou que a retórica “perturbadora e tóxica” não deve passar a ser a política do governo e que os Estados Unidos devem cumprir suas obrigações no contexto do direito internacional. “Alguns dos momentos mais obscuros da história dos Estados Unidos ocorreram quando funcionários eleitos ignoraram os compromissos, como o uso e a tolerância da tortura”, enfatizou à IPS, afirmando que as declarações de Trump geram a preocupação de que esse país não vai respeitar suas obrigações internacionais.

“Pediremos ao presidente eleito que preste contas por sua promessa de representar todos os norte-americanos na busca por um futuro melhor e mais promissor”, acrescentou Huang. Por sua vez, o presidente Barack Obama, e também a candidata Hillary Clinton, se comprometeram a ajudar Trump em sua tarefa, em uma atitude que busca mostrar continuidade, quando numerosos analistas afirmam que a eleição de Trump é mais um sinal das mudanças históricas. Envolverde/IPS

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