COP 23: Itaipu Binacional apresenta suas boas práticas

Por Alice Marcondes, enviada especial da Envolverde para a COP23 –

Na COP 23, o intercâmbio de experiências empresariais de redução de emissões e mitigação de impacto procura demonstrar o papel das empresas rumo às metas de Paris


Norman Breuer, assessor especial de meio ambiente da Itaipu – Foto Rudá Capriles (Eco21).

Enquanto as delegações dos países fazem na Bula Zone as rodadas de negociações para a implementação do acordo de Paris, em Bonn Zone, stands de empresas e sociedade civil são painéis de boas práticas, expondo ações que colaboram para que o mundo atinja a meta de frear o aquecimento global, mantendo índices de até 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. No sábado (12) foi a vez da Itaipu Binacional apresentar algumas de suas iniciativas em uma mesa de debates na Conferência do Clima da ONU (COP 23), que acontece desde o dia 6, em Bonn, na Alemanha.

A empresa divide seu território entre Brasil e Paraguai e ambos os países se comprometeram de maneira ambiciosa na redução de emissões de gases poluentes. “São 10% de redução no Paraguai e 37% no Brasil até 2030.  Não há como atingir essas metas sem todas as organizações trabalhando juntas, apoiando os governos. E, ocupar o posto de maior hidrelétrica do mundo nos coloca com ainda mais responsabilidade”, comenta Norman Breuer, assessor especial de meio ambiente da empresa.


homenagem a empregados com 15 ,20,25 e 30 anos de empresa, plantio no bosque do trabalhador, aniversario 37 anos de itaipu

Por ter o seu modelo de negócio baseado em água e energia, a empresa desenvolve ações ligada à garantia destes recursos. “A principal delas é a conservação de florestas. Estamos inseridos na Mata Atlântica, que é um bioma altamente devastado. Então, investimos em áreas protegidas. Já plantamos mais de 20 milhões de árvores nos últimos 30 anos. Temos essa visão de grandes áreas protegidas e fragmentos de florestas intercalados com corredores biológicos, criando um mosaico. A mata melhora o solo, segura a erosão, garante a vida das nascentes e funciona como um filtro para a água”, conta Breuer.

São estas áreas protegidas também as responsáveis por sequestrar carbono em índices que permitem à empresa apresentar um resultado negativo de emissões de CO2. “Em 2016 emitimos -5.359.940 de toneladas de CO2. Segundo o WWF, a nossa floresta atlântica do Alto Paraná sequestrou 568 toneladas de CO2 nos últimos 30 anos neste território”, orgulha-se o assessor.

Além dos benefícios ambientais, Ariel da Silva, gerente de meio ambiente do lado brasileiro da empresa, acredita que as ações de conservação hoje já começam a ser encaradas como um fator de garantia para os investidores. “Há vinte anos, quando eu trabalhava em bancos, eu diria que seria muito difícil convencer empresas de que precisam se envolver em ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável). Nós já estávamos atentos aos riscos das mudanças climáticas em financiamentos errôneos, mas era muito difícil falar disso com os investidores. Hoje em dia os riscos são mais evidentes. Empresas quebram por conta da mudança climática”, diz.

Ele lembra que uma boa forma de demonstrar aos investidores o comprometimento, é a obtenção de certificações. “Nós conseguimos em 2015 o selo LIFE, que é uma certificação que reconhece organizações que adotam estratégias em prol da biodiversidade. Queremos apoiar financeiramente essa certificação. Assim poderemos aumentar o escopo e dar escala. Dando exemplos a gente pode conseguir um grande grau de engajamento”, explica.

Para demonstrar o aspecto negativo da falta de comprometimento, Ariel cita o Haiti. “Foi um desastre o que houve no pais, mas antes disso eles já tinham destruído o todo o ecossistema. Tem 1% das florestas. Uma empresa que queira investir lá precisaria investir em infraestrutura maciçamente. Isso dificulta o processo”, lamenta.

O envolvimento da comunidade também foi ressaltado como fator estratégico no sucesso das políticas de conservação.  Para Cristina Monge, diretora de Diálogos da Fundação ECODES, é preciso “acelerar o engajamento e o compromisso das comunidades locais em um modelo que pense a ação da empresa além dos muros, olhando para os impactos de forma holística. Se trata do setor privado entender que é parte do ecossistema e vive dele. De entender que se o ecossistema se deteriora o negócio vai deteriorar também. No caso da Itaipu a relação é clara, porque usam a água, mas essa visão precisa se estender a qualquer modelo”, enfatiza.


Haroldo Machado Filho – Foto divulgação Pnud

Haroldo Machado Filho, consultor de Mudanças Climáticas do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), destacou ainda a importância das parcerias neste processo. “O acordo de Paris exige uma cooperação o mais estreita possível. A Itaipu trabalha com várias organizações e sabemos que é importante replicar o modelo para outros países em cooperação sul-sul ou até sul-norte”, diz. A opinião recebe o apoio de Ariel, que encerra lembrando que “o desafio da mudança climática é global. Todos os setores precisam estar unidos e por isso fóruns como estes, onde podemos encontrar todos os interlocutores são muito bons”. (Envolverde)

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