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COP23 – O que o Brasil fez na Alemanha e as propostas para o futuro

O objetivo desta COP era iniciar o “livro de regras” para combinar o jogo da implementação do Acordo de Paris, que deverá ser finalizado na próxima conferência, na Polônia. Dada a característica técnica da reunião, era esperado que ela terminasse hoje, sexta-feira 17 de novembro, com um texto pronto para a negociação a partir de 2018. No entanto, essa não é a realidade. Até a maneira como o diálogo entre os países será feito não foi consensuada ainda. Durante toda a COP, o Governo brasileiro enfrentou fortes críticas sobre sua contradição entre os retrocessos socioambientais domésticos e sua posição nas negociações, especialmente, sobre a proposta de incentivar os subsídios aos combustíveis fósseis até 2040, o que claramente vai na contramão dos esforços para descarbonizar nossa economia e valorizar as energias renováveis, como os biocombustíveis e a biomassa. Por outro lado, o Brasil mandou um recado forte, ao lado de outros países em desenvolvimento, sobre a necessidade de aumentar a ambição do Acordo de Paris e buscar compromissos pré 2020. Além disso, o ministro Sarney também anunciou duas importantes notícias para a agenda de clima floresta e agricultura, durante a conferência, como o RenovaBio e o Planaveg. COP25 no Brasil O Brasil se candidatou para ser o anfitrião da COP 25, em 2019. Essa é uma oportunidade de reafirmar a liderança do Brasil na agenda climática e, para isso, precisamos estar preparados para esse momento, já com a lição feita, mostrando que já estamos alinhados com a economia de baixo carbono e em estágio avançado da implementação da NDC brasileira. Doações A COP foi um momento de anúncios importantes para o Brasil. As doações dos governos da Alemanha e do Reino Unido de cerca de 100 milhões de euros para projetos de preservação ambiental a Estados da região amazônica representam os maiores repasses internacionais já recebidos por estados brasileiros para esta finalidade. Essa é uma indicação de que existe interesse e apetite internacional para investir em um Brasil sustentável e de baixo carbono. RenovaBio O Programa RenovaBio, encaminha ao Congresso durante a COP 23, é uma oportunidade única para que o Brasil possa reafirmar sua liderança global na produção e uso de energias renováveis, como os biocombustíveis. A partir do controle de emissões, o programa dará ao setor energético previsibilidade, estabilidade de regras e a clareza do que representam o etanol e o biodiesel na matriz energética brasileira. Mas, além disso, é preciso também que o Programa promova a inclusão de novas tecnologias e o estímulo à produção e consumo de novos biocombustíveis. Planaveg A assinatura do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) abre caminho para que o Brasil se torne um líder global em restauração tropical, beneficiando sua biodiversidade, economia, população e todo o planeta. A execução de um plano eficiente será fundamental para reduzirmos o custo de adequação ao Código Florestal, bem como darmos acesso aos produtores rurais a investidores e mercados relacionados com a nova economia do carbono. Os oito eixos estratégicos de ação (Sensibilização; Sementes […]

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COP23 – MP do trilhão rende ao Brasil o prêmio Fóssil do Dia

O gigante verde sul-americano, que ostenta os biocombustíveis sustentáveis, é a mais nova vítima da febre do petróleo, justifica a Climate Action Network O prêmio mais tradicional das Conferências da ONU sobre Mudanças Climáticas, o Fóssil do Dia, está indo para o Brasil hoje. Não por causa dos seus negociadores, mas por causa do presidente. De acordo com o grande grupo de ONGs ambientais que selecionam os vencedores do prêmio – uma brincadeira para sinalizar aqueles que tornam as negociações climáticas mais difíceis – o Fóssil de hoje vai ao Brasil por causa da Medida Provisória enviada por Temer ao Congresso que pode dar às empresas de petróleo US$ 300 bilhões em subsídios para perfurar suas reservas offshore. O Fóssil do Dia é uma tradição das negociações climáticas que teve início em 1999 – quando a COP também foi realizada em Bonn, na Alemanha. A premiação foi iniciada pela NGO alemã Forum e é conduzido pela Climate Action Network (CAN): seus membros elegem os países que julgaram ter feito o seu “melhor” para bloquear o progresso nas negociações ou na implementação do Acordo de Paris durante as negociações das Nações Unidas sobre mudanças climáticas. Veja abaixo a declaração lida pelas ONGs ao premiar o Brasil com o prêmio fóssil: Brasil acometido pela febre do petróleo O Fóssil para hoje vai para o Brasil, por propor um projeto de lei que poderia dar às companhias de petróleo US $ 300 bilhões em subsídios para perfurar suas reservas offshore.  Você ouviu isso certo, US $ 300 bilhões. Pensemos sobre isso por um minuto – é aproximadamente o valor de uma Torre Eiffel ou seis torres de Londres. Basicamente, uma quantidade insana de dinheiro. Também é cerca de 360 ​​vezes mais do que o mundo inteiro fornece em apoio anual para financiamento de resiliência climática e desastre nos Pequenos Estados insulares em desenvolvimento, destacando como os fluxos de financiamento do clima atual são diferentes em comparação com os subsídios maciços de combustíveis fósseis. O Brasil, o gigante verde sul-americano, a terra dos biocombustíveis sustentáveis ​​e o orgulhoso portador de uma mistura de energia com baixa emissão de carbono, é a mais nova vítima da febre do petróleo. Uma Medida Provisória enviada ao Congresso pelo presidente Michel Temer, que pode ser votada nas próximas semanas, abre o país a um frenesi do petróleo, dando às empresas um pacote de isenções fiscais que podem ascender a US $ 300 trilhões nos próximos 25 anos. O ministro do Meio Ambiente do Brasil chamou o projeto de lei “inaceitável“. A taxa de aprovação pública da Temer é de 3%, aproximadamente a mesma que a margem de erro das pesquisas. Mas certamente, as grandes empresas de petróleo têm uma opinião sobre ele melhor do que os eleitores brasileiros. O objetivo da medida é acelerar o desenvolvimento da camada de pré-sal ultra-profunda, uma reserva do petróleo offshore que se pensa conter 176 bilhões de barris recuperáveis. Se esse óleo fosse queimado, o Brasil sozinho consumiria 18% do orçamento de carbono […]

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COP23 – Ministro anuncia plano de recuperação de florestas

Em discurso de despedida da conferência do clima, Sarney Filho disse que vai intensificar o uso de biocombustíveis, ampliar os leilões de fontes renováveis para geração elétrica e a eficiência energética no consumo de eletricidade Vamos esquecer por um instante que o Brasil foi laureado, no dia da Proclamação da República, com o Fóssil do Dia, por tornar as negociações climáticas mais difíceis devido à MP enviada por Temer ao Congresso – que pode dar às empresas de petróleo US$ 300 bilhões em subsídios para perfurar reservas offshore. Mais uma vez o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, encheu de esperanças os corações daqueles que aguardam pelo despertar da ação climática no governo brasileiro, em discurso na abertura do segmento de alto nível da COP23, está manhã, em Bonn, na Alemanha. Além de apresentar o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (PLANAVEG) e estabelecer uma nova política nacional de biocombustíveis (RenovaBio), que deve aumentar a eficiência de produção dos biocombustíveis e reduzir as emissões de gases de efeito estufa, reforçou que o Brasil está oficialmente se candidatando a sediar a COP25, em 2019. “Temos um longo histórico de importantes encontros internacionais e pretendemos manter esta tradição”, disse Sarney. No setor de energia, o ministro afirmou que o governo brasileiro vai intensificar o uso de biocombustíveis, ampliar os leilões de fontes renováveis para geração elétrica e a eficiência energética no consumo de eletricidade. No setor agro, retomou a meta de restaurar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas até 2030 e aumentar cinco milhões de hectares de sistemas de integração lavoura-pecuária e florestas até 2030. Sem mencionar dados históricos desfavoráveis à trajetória do desmatamento, que revelam a retomada do ritmo de destruição da floresta, o ministro destacou a Política de Recuperação da Vegetação Nativa, cuja meta é restaurar 12 milhões de hectares até 2030, intensificando os Pagamentos por Serviços Ambientais às populações que vivem na floresta e alternativas econômicas que valorizem o bem ambiental. Sarney também anunciou o BASIC, grupo formado por Brasil, África do Sul, Índia e China, países que apresentaram declaração conjunta em defesa da implementação dos termos estabelecidos em Paris. Para finalizar os trabalhos, Sarney apelou para a necessidade de incentivo a investimentos verdes, com a intenção de criar o que chamou de “modelo de desenvolvimento que almejamos e de que necessitamos nas próximas décadas”. Enquanto isso no Brasil… Ainda esta manhã o Ministério do Meio Ambiente anunciou que o Programa Bolsa Verde será aprimorado e ampliado a partir do ano que vem, via projeto do MMA junto ao Fundo Amazônia, priorizando a conservação ambiental e a busca por um maior engajamento do público-alvo no processo. O projeto já teria sido aprovado pelo Conselho Gestor do Fundo. O valor negociado permitirá a expansão da ordem de 20% no número de famílias atendidas pelo Bolsa Verde. (Observatório do Clima/Envolverde)

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A COP do Sísifo

  por Alfredo Sirkis, de Bonn, durante a COP23 –  É recorrente às COPs essa sensação de estar girando em falso, de muita conversa pouca ação e menos ainda resultado. Há conferências onde se sente um pequeno progresso palpável, aquém do necessário, mas progresso, afinal. Ele nem sempre vem do processo negociador, frequentemente de algum avanço político em um país importante ou um registro de redução de emissões global ou nacional. Nada disso acontece na COP23. Sua pauta nada tem de muito substantivo, trata-se de esmiuçar a aplicação do Acordo de Paris, o manual de implementação de suas regras, a discussão de como discutir. No entanto, o contexto político e científico internacional produz más notícias que são reverberadas dentro da COP. Vínhamos acompanhando com interesse a possibilidade de as emissões por queima de combustível fóssil terem atingido o seu “pico” em 2013 já que elas vinham estáveis — e até com uma ligeira queda– coincidindo com anos de crescimento do PIB mundial. Isso é importante pois já havíamos tido, no passado, que a redução de emissões de CO2 mundiais ocorre sempre em anos recessivos. Dessa vez havia algo diferente. Agora, cientistas do Carbon Budget Project anunciam uma projeção de aumento de 2% das emissões, em 2017, o que seria o primeiro aumento, no agregado, desde a estabilização. Isso teve um efeito de ducha fria; corresponderia a um aumento de emissões de mais de 3%, na China, dado o uso mais intenso de suas térmicas a carvão por causa da seca que afetou as hidroelétricas (algo com tendência a se repetir) e de uma redução menor das emissões nos EUA, onde o “efeito Trump” ainda não apareceu, mas poderá, mais adiante, se intensificar em função da desregulamentação das normas nacionais da EPA (Agência Ambiental Federal). Cabem certas ressalvas. A primeira é que o ano não acabou. Além disso, a fonte que vem registrando com precisão as emissões de CO2, por queima de combustível fóssil, é a Agencia Internacional de Energia (IEA), de modo que, para seguirmos a série histórica, teríamos que ter seus dados mais antigos, e não compará-los com o de fontes diferentes. Por outro lado, as emissões por energia são a parte do leão dos gases-estufa. Teríamos que acrescentar as emissões por desmatamento que, em 2015 e 2016, aumentaram no Brasil e na Indonésia, e as “exponenciais” provenientes da decrescente capacidade dos oceanos e das florestas de absorverem carbono, das geleiras derretendo e do permafrost liberando metano (CH4). Tanto que, apesar dessa estabilização nos relatórios de emissões de CO2/energia, a concentração de gases-estufa na atmosfera medidas em partes por milhão (ppm) continuaram a subir em todo esse período. Já andamos pelos 401 ppm e em alguns observatórios já se detectaram concentrações de 407 ppm. Lidamos com uma situação geopolítica adversa. Trump parece muito isolado, mas acaba inspirando outros países carvoeiros como a Polônia, que agora canta de galo mais alto com seu governo de extrema-direita, disposto a resistir mais às pressões europeias. A próxima COP, que irá abrir a discussão da descarbonização de logo prazo, a COP 24, […]

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COP23 – Alemanha vai doar 30 milhões de Euros para agricultores familiares

Em meios às atividades 23ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP23), em Bonn, o governo da Alemanha anunciou na quarta-feira (15) que doará 20 milhões de euros para o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA). Montante será investido pela agência da ONU em projetos para ajudar agricultores familiares de países em desenvolvimento a se adaptar às transformações do clima. Em meios às atividades 23ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP23), em Bonn, o governo da Alemanha anunciou na quarta-feira (15) que doará 20 milhões de euros para o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA). Montante será investido pela agência da ONU em projetos para ajudar agricultores familiares de países em desenvolvimento a se adaptar às transformações do clima. Segundo o vice-presidente associado do FIDA, Périn Saint Ange, a verba permitirá ampliar iniciativas, como o atual Programa de Adaptação para a Agricultura Familiar, e trará ainda “benefícios adicionais, relacionados a outros problemas transversais, como igualdade de gênero, desemprego entre os jovens e segurança nutricional”. O organismo internacional tem buscado integrar estratégias de adaptação às mudanças climáticas em todas as suas operações e não apenas como parte de projetos específicos voltados para o tema. Os recursos da Alemanha garantirão que pequenos produtores tenham acesso às informações e tecnologias necessárias para se preparem para as futuras alterações dos padrões climáticos e ambientais. Em países em desenvolvimento, a agricultura familiar responde por até 80% de todos os alimentos produzidos. O Estado alemão foi um dos países fundadores do FIDA e continua, até hoje, sendo um de seus principais doadores. (ONU/Envolverde)

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COP 23 – Indígenas brasileiros pedem por mais diálogo e respeito

por Alice Marcondes, enviada especial da Envolverde à COP23 – Apesar de seu importante papel como guardiões das matas brasileiras, os indígenas são historicamente deixados de lado nos debates sobre conservação. Na COP 23 eles denunciam negligências e clamam aos homens brancos por mais diálogo Aqui e acolá, nos corredores e salas de discussões da Conferência do Clima da ONU (COP 23), que acontece em Bonn, na Alemanha, podemos ver traços, assessórios e indumentárias bem comuns aos olhos dos brasileiros: é a delegação dos indígenas. Com suas roupas coloridas, cocares e penas, eles estão nas mesas de debates, nos protestos e nas negociações para dar aos governantes o recado de que suas vozes precisam ser ouvidas. Nem todos vieram juntos à Alemanha. Alguns estão em Bonn com o apoio da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e outras organizações, e outros são figuras de destaque em mesas de discussão de instituições nacionais e do próprio governo brasileiro. Na segunda opção se enquadra o , que falou na terça-feira (14) aos governadores de toda Amazônia e ao ministro do Meio Ambiente José Sarney Filho, durante o evento Amazon Bonn. Falando a própria língua, ele teve seu discurso traduzido por seu neto. O cacique foi enfático nas críticas “se continuarem desmatando a floresta e destruindo a águas o calor vai continuar aumentando e a humanidade corre risco de vida. Mas por que esse calor? Porque os rios estão secando eu pergunto a vocês. No Brasil o meu povo ancestral foi o primeiro que habitou aquela terra e depois o homem branco chegou e agora estamos assim”. Ele pediu aos governadores presentes ajuda para que a demarcação de terras indígenas não seja ameaçada. “No rio onde eu habito morreu muito peixe e não sei se alguma pessoa fez aquilo, mas a gente está vendo o impacto que está causando. Por isso eu peço o apoio de vocês e não deixem diminuir as nossas terras. Porque demarcando uma terra indígena você está protegendo a terra. Eu sempre defendi meu povo e minhas terras por isso nunca aceitei dinheiro nenhum de madeireiro, não aceitei garimpeiros, nunca aceitei propostas dessas pessoas. E vou continuar defendendo as nossas terras”, disse Raoni, que fez ainda um chamado de união a todos os presentes: “A gente fala línguas diferentes, mas ainda somos irmãos e precisamos estar juntos, em paz e harmonia”. Esse cuidado com a terra é também o principal argumento de Sonia Bone Guajajara, do povo Guajajara/Tentehar, que habita Terra Indígena Arariboia, no Maranhão. Ela conversou com a reportagem na saída de uma mesa de discussões e já com pressa para não atrasar para o próximo debate. A agenda de Sônia está cheia, mas ela faz questão de repetir na COP o máximo de vezes possível que “terra indígena é terra preservada” e que “a COP 23 precisa definir como será implementado o Acordo de Paris considerando o conhecimento tradicional, a cosmovisão dos povos indígenas”. Ela faz ainda uma dura ponderação em relação ao governo brasileiro. “Estamos […]

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COP 23 – A floresta em pé precisa valer mais

por Alice Marcondes, enviada especial da Envolverde à COP23 – Em debate na COP 23, especialistas apontam necessidade de revisão de modelos nos mecanismos de mercado para que o Brasil acelere na transição para uma economia de baixo carbono O Brasil precisa incluir de maneira mais eficiente a variável do desenvolvimento econômico em seus mecanismos de redução de desmatamento. Só assim eles contribuirão de fato para que o país atinja sua ambiciosa meta de redução de 37% das emissões de CO² até 2025. A constatação é dos especialistas que estiveram no encontro Amazon Bonn, realizado ontem (14), como parte da programação da Conferência do Clima da ONU (COP 23), que acontece em Bonn, na Alemanha. O secretário estadual do Meio Ambiente do Amazonas, Marcelo José de Lima Dutra, iniciou o debate destacando a dificuldade orçamentária para investimento em políticas públicas ambientais.  “Levanto a bandeira do movimento 1%, que é uma brincadeira que fazemos para dizer que pelo menos 1% do orçamento do estado deveria vir para a nossa pasta. Na realidade o que vem é bem menos do que isso”, lamenta. O Amazonas tem o maior maciço florestal do país, com 150 milhões de hectares de floresta em pé, e enfrenta grandes desafios para conter o desmatamento ilegal. Marcelo explicou que, além de gerar o impacto direto, o desmatador ainda promove a concorrência desleal, vendendo mais barato do que o produtor legalizado. “Este cenário dificulta muito que a gente consiga envolver a comunidade pela manutenção da mata. A gente precisa trabalhar desenvolvimento sustentável e dar às populações da floresta modos de subsistência. Assim a gente evita não só o desmatamento, mas também prostituição, crimes de grilagem, o pistoleiro, toda uma cadeia ruim”, diz. A concessão de florestas foi apontada por Raimundo Deusdará, diretor-geral do Serviço Florestal Brasilieiro (SFB), como um possível caminho, desde que o modelo de negócio seja revisto. Atualmente o Brasil tem cerca de 1,6 milhões de hectares de florestas concedidas, onde o concessionário pode explorar a extração de madeira de forma controlada, com limite de quantidade e espécies. Porém, para o diretor, “o modelo não ganha escala porque não é viável financeiramente. Enfrentamos dilemas que existem no Brasil desde a década de 70: logística; a questão fundiária, porque é preciso conhecer bem a terra para não gerar impactos sociais; e a concorrência desleal do desmatamento ilegal”. Para ele, a solução passa por “desonerar ou subsidiar para que o concessionário tenha o menor custo de produção para competir. Temos uma iniciativa boa que foi o decreto de compras sustentáveis, que determina que o governo só pode comprar madeira certificada. Isso já é um avanço”. Outra medida necessária, segundo o coordenador de mudanças climáticas e REED do Instituo de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM), Pedro Soares, é melhorar a mensuração e valorizar os serviços ambientais prestados pela floresta. “A Amazônia continua sendo o setor mais relevante para o cumprimento da meta nacional de redução de emissões. O desmatamento representa 30% das emissões. Se somarmos à pecuária, passa […]

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COP 23 – Ativistas entregam ao governador do Pará disco de platina pelo hit ‘Não para de Desmatar’

por Alice Marcondes, enviada especial da Envolverde à COP23 – 
Protesto divertido pegou o governador Simão Jatene de surpresa. Jovens dizem que é uma forma de pedir mais firmeza no combate ao desmatamento
Um grupo de jovens da organização E…

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Dependência do IPCC dos EUA coloca em risco o futuro do órgão

por Júlio Ottoboni, especial para Envolverde –  A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris esbarra em questões mais profundos que afetam a própria sobrevivência do braço científico do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas ( IPCC), das Nações Unidas. Os EUA vinham sendo o maior colaborador do órgão tanto na parte financeira como na produção científica sobre as alterações do clima de efeito antrópico. Para a vice-presidente do IPCC, a cientista brasileira Thelma Krug, a situação também passou os níveis de preocupante para alarmante.  Os 195 países vinculados o IPCC, apenas 24 colaboravam com o fundo que mantém o órgão em funcionamento, entre os quais estavam os EUA. Deste investimento,  44% da arrecadação vinham dos cofres norte americanos.  O governo brasileiro é um dos 172 inadimplentes com o suporte financeiro do painel. A falta de visão estratégica, de relevância e emergência da situação tem provocado números dantescos. Os desastres naturais em duas décadas mataram mais 1,3 milhão de pessoas e geraram US$ 2,5 trilhões de prejuízos, segundo  dados da ONU. Uma questão, no entanto, não é consenso no meio científico e gera enormes dúvidas. Trata-se de ‘ponto de não retorno’, quando o clima literalmente toma os extremos climáticos como seu padrão de comportamento e esquece seu passado. Para o pesquisador do INPE e criador do Cptec, Carlos Nobre, isso já ocorreu na década de 80 e as mudanças estão em curso e se acelerando enquanto os governos dos países  discutem o sexo dos anjos. O IPCC não tem uma posição definida sobre o assunto, altamente polêmico.  Mas dá indicativo claros no sentido que  as apostas estão fechadas quanto a dificuldade em se restabelecer uma condição climática semelhante há existente até a primeira metade do século passado. O IPCC admite que em vários países e localidades já terem visíveis os impactos do aquecimento global, inclusive superando em muito os próprios prognósticos feitos e apresentados nos relatórios técnicos. Pesquisadora de carreira do Inpe e com um dos currículos mais completos entre os cientistas latino americanos, Thelma Krug reconhece que a produção acadêmica e dos órgãos de pesquisas norte americanos são essenciais para as previsões e na elaboração dos relatórios. Mas isso também deve minguar. Os EUA também detinham a liderança neste aspecto junto ao IPCC. Uma dependência que pode ser fatal. Pois Trump vem cortando linhas de financiamento para qualquer estudo voltado ao setor das mudanças climáticas. “O IPCC não faz pesquisa, mas catalisa a produção científica. Temos um relatório para apresentar até outubro de 2018 que precisa ser finalizado e avaliado sobre a redução de 70% das emissões até 2050. Estamos hoje buscando produções que não precisam ser necessariamente publicadas, isso indica o esforço enorme que vem sendo feito. Esse processo é dinâmico no qual a ciência passa a informar os governos para que possam reagir de acordo com sua consciência”, comentou a cientista em tom de desabafo. Trump sofreu, inclusive dentro de seu país, uma forte pressão da comunidade científica para manter os EUA dentro do painel da ONU. Mas […]

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Proposta de brasileiros na COP 23 indica REDD+como mecanismo de proteção de florestas

O REDD+ Integrado traz alternativas para regulação do mecanismo que ajuda a financiar a conservação florestal, com benefícios para comunidades da floresta.  REDD+ significa Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, bem como manejo florestal e enriquecimento de estoques de carbono. É um mecanismo de captação de recursos para a conservação de florestas tropicais. Já existem várias experiências de aplicação de recursos de REDD+ em projetos na Amazônia, conduzidos por organizações não-governamentais, empresas e governos estaduais que demonstram como é possível criar uma economia da floresta, em benefício das comunidades locais. “Esse é um grande círculo virtuoso: o empoderamento das organizações de base comunitária, o acesso à educação e à saúde e o desenvolvimento de alternativas de geração de renda sustentáveis (sistemas agroflorestais, comercialização de produtos madeireiros e não madeireiros) criam um movimento contra o desmatamento. Os recursos de REDD+, investidos com base em processos participativos, trazem melhorias para a qualidade de vida e fazem com que a floresta tenha mais valor em pé do que derrubada; é uma recompensa pelos serviços ambientais da floresta”, explica Virgílio Viana, superintendente geral da Fundação Amazonas Sustentável. A discussão sobre ganho de escala do REDD+ é oportuna, já que há grande expectativa de que a COP 23 avance nas regulações, conforme destaca Thiago Chagas, consultor jurídico do Climate Focus. “A maioria dos envolvidos com esse mecanismo ainda não enxerga possibilidades como a cooperação entre países. Se quem oferta alcançou suas metas nacionalmente, essa pode ser a porta de entrada para o REDD+. Mas não é uma porta escancarada. Ela necessita de regulação e de decisões estratégicas dos países sobre dispor ou não dos seus créditos.” Virgílio e Thiago participaram de um evento paralelo em 8 de novembro, em Bonn, promovido pela Aliança REDD+ Brasil, ao lado de mais três debatedores: Sylvain Goupille (Althelia Climate Fund), Chris Meyer (EDF) e Pedro Soares (Idesam). “Trazer para o público da COP a proposta do REDD+ Integrado é uma forma de ampliar a discussão em torno das soluções concretas que ela representa para várias preocupações — as reais e as supostas — que ainda geram polêmicas em torno desse mecanismo”, diz Pedro Soares, gerente do Programa de Mudanças Climáticas e REDD+ do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam). Por possuir as maiores áreas de floresta tropical do planeta, pioneirismo na realização de projetos de REDD+ e o compromisso no Acordo Mundial do Clima de zerar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030, o Brasil reúne todas as condições para se tornar um destino seguro para os investimentos globais desse mecanismo de captação. Além disso, tem potencial para superar em 5,8 GtCO2e os compromissos nacionais de redução de emissões assumidos até 2030, caso conte com outros mecanismos de mercado e fontes adicionais de financiamento. Para Sylvain Goupille, diretor do Althelia, as medidas de descarbonização dependem de sinais claros do custo das emissões, seja por meio da regulação das transações de offset, de taxações de emissões ou de preços sobre commodities: “Há muitas possibilidades, mas um […]

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