Assediado pela multidão e mais feliz do que no Vaticano

No Rio de Janeiro, nas primeiras horas de permanência de Francisco no Brasil, na cidade da Jornada Mundial da Juventude, foram vividos momentos de tensão. Do aeroporto até a cidade, o papa foi em um Fiat Idea, antes de tomar o jipe descoberto. Mas o cortejo papal errou de caminho e se encontrou engarrafado em uma avenida, bloqueado por uma fila de ônibus, com as pessoas que cercaram completamente o carro do pontífice. Poderia ter acontecido de tudo, mas Francisco permaneceu sorridente, como se viu depois que ele subiu no jipe branco descoberto, o mesmo que ele usa para as audiências na Praça de São Pedro: ele atravessou a cidade entre duas alas de multidão festejante.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 22-07-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O incidente não é novo na história das viagens papais. O helicóptero de João Paulo II não conseguia aterrissar em Manila em 1995, depois que quatro milhões de pessoas, o maior encontro da história, haviam invadido todos os espaços, derrubando barreiras e cordões de segurança.

Mas o precedente mais clamoroso continua sendo o que aconteceu em Jerusalém, em 1964, durante a histórica viagem de Paulo VI. À chegada ao Portão de Damasco, a multidão separou o papa da sua comitiva, e Montini, que queria percorrer a pé a Via Dolorosa seguida por Jesus para subir ao Calvário, foi completamente cercado e quase engolido por uma maré humana.

As imagens mostram o pontífice da Bréscia cercado pelos soldados jordanianos, enquanto é arrastado de um lado para o outro pelas vielas da Cidade Santa. Pálido, mas sorridente, Paulo VI conseguiu chegar ileso à meta, o Santo Sepulcro, onde celebraria a missa.

Naquela noite, o padre Bevilacqua, amigo do papa, revelou a um grupo de jornalistas reunidos fora da Delegação Apostólica de Jerusalém, que muitos anos antes Montini lhe confidenciara: “Eu sonho com um papa que viva livre da pompa da corte e das prisões protocolares. Finalmente sozinho no meio dos seus diáconos”.

É por isso que, concluíra Bevilacqua, “estou convicto de que hoje, embora engolido pela multidão, ele está mais contente do que quando sai em São Pedro na sede gestatória entre as alabardas das guardas e as púrpuras dos cardeais”. Como acontece hoje com o Papa Francisco.

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