Alertas de desmatamento mais que dobram

Área desmatada em Roraima, identificada graças ao SAD, foi alvo de protesto do Greenpeace: "Sem floresta não tem água!" Foto:© Marizilda Cruppe/Greenpeace

Área desmatada em Roraima, identificada graças ao SAD, foi alvo de protesto do Greenpeace: “Sem floresta não tem água!” Foto:© Marizilda Cruppe/Greenpeace

De acordo com dados do SAD, em maio foram registrados 389 km² de alertas de desmatamento na Amazônia. O estado do Amazonas e o Mato Grosso lideraram na destruição

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou na quinta-feira (18) os resultados de seu Sistema de Alertas de Desmatamento na Amazônia Legal (SAD) de maio, reafirmando a tendência de aumento do desmatamento no bioma. No mês passado foram registrados alertas em uma área de 389 km², destruição 110% maior que a identificada em maio de 2014.

Mas a surpresa deste mês veio do Amazonas, que registrou a maior área de alertas de desmatamento (27%), ao lado do Mato Grosso. O estado não costuma figurar entre os maiores desmatadores do bioma, mas isso parece estar mudando: entre os três municípios mais desmatados em maio, dois estão no Amazonas.

O município de Lábrea (AM) perdeu o equivalente a aproximadamente 6. 300 campos de futebol. A região, na fronteira com Rondônia e parte do Acre, tem sido apontada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) como uma das mais críticas na escalada na violência no campo, e tem sido alvo de ação de madeireiros ilegais e grileiros que promovem o avanço da fronteira agrícola sob a floresta. Para piorar, há poucos meses uma reforma política colocou fim a órgãos estaduais de gestão ambiental e cortou quase metade do orçamento da Secretaria de Meio Ambiente do estado.

De agosto de 2014 à maio de 2015 foram registrados alertas de desmatamento em 2.286 km², um aumento de 170% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi de 846 km².

Em maio de 2015, a maioria (55%) das áreas com alertas localizavam-se em terras privadas ou sob diversos estágios de posse. As Unidades de Conservação assumiram o segundo lugar, concentrando 31 % da área total alertas.

“A tendência de aumento do desmatamento nos mostra que estamos indo na contramão do que deveríamos fazer, já estamos pagando a conta por tanta devastação. É hora da sociedade se posicionar e colocar um ponto final do desmatamento, que tão mal nos faz. Sem floresta não tem água, não tem ar fresco, não tem qualidade de vida”, afirma Cristiane Mazzetti, da campanha Amazônia do Greenpeace.

O boletim do SAD é publicado mensalmente pelo Imazon, com base em análise de imagens de satélite, e traz os chamados “alertas de desmatamento e degradação florestal”, indicando que algo pode estar errado com a floresta. Apesar de serem apenas indicadores, infelizmente, as informações apuradas pelo SAD costumam se comprovar em terra. Foi o que verificamos em abril, quando a partir dos alertas do SAD encontramos uma grande área recém-desmatada em Roraima, que foi alvo de protesto relacionando a a importância de acabar o desmatamento para garantir água na torneira.

Mais de 1,1 milhões de brasileiros já declararam seu apoio a um projeto de Lei que torna o Desmatamento Zero uma regra no Brasil. A ciência, as religiões e o próprio clima vem mostrando que o planeta não suporta mais destruição.

Precisamos de uma mudança profunda e você pode ajudar a construir um futuro com florestas. O Desafio Salve as Florestas, no ar desde quarta-feira (16), tem como objetivo o engajamento da sociedade para a reunir mais assinaturas em favor do projeto e promover esse debate Brasil afora. Participe e ajude a mostrar para todos o mundo que queremos. (Greenpeace Brasil/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site Greenpeace Brasil.

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