Acelera SP: Pensando soluções para a mobilidade urbana

Por Vinícius Lima Santos e Thiago Picolo, especial para a Envolverde – 

Profissionais e cidadãos paulistanos discutem os problemas do ir e vir na metrópole

Um dos muitos eventos realizados na Virada Sustentável 2017, em São Paulo, foi o debate “Mobilidade Urbana – Acelera SP?”, que aconteceu no dia 24/08 (quinta-feira). O objetivo do debate era promover um diálogo entre os que trabalham com as novas medidas a respeito do trânsito na capital e os cidadãos que usufruem dos sistemas de locomoção.

A primeira fala foi de Daniel Guth, Consultor de Políticas de Mobilidade Urbana e Diretor de Participação da Ciclocidade, uma associação de ciclistas de São Paulo. Guth afirma, com a propriedade de quem foi coordenador de implantação das ciclofaixas de lazer de SP, que a dinâmica altamente rodoviarista do transporte em todo o Brasil é prejudicial ao bem-estar social e impede o progresso da cidadania. Como ciclista e líder de grupos de ciclistas, ele atenta que é sempre preciso formar massas críticas, ou seja, grupos densos de ciclistas, para pedalar pelas ruas fazendo frente a maioria de carros e diminuindo os riscos de atropelamento.

A segunda fala, muito em linha com a de Guth, porém cobrindo outra perspectiva, foi da idealizadora e diretora do SampaPé!, Letícia Sabino. O SampaPé! é uma organização sem fins lucrativos fundada em 2012 com o intuito de melhorar a experiência de caminhar em SP, desde caminhadas culturais, mapeamentos de bancos para sentar, programas em rádios e mobilizações sociais. Sabino afirmou que os líderes muitas vezes não se atentam a infraestrutura para caminhar na cidade por não dependerem ou usarem ela, e que o fato de andar pelas ruas sempre foi o meio de transporte que mais locomoveu pessoas em SP é negligenciado constantemente. Apesar de reservar áreas da cidade para circulação de pedestres nos fins de semana ser um avanço, ainda é necessário conscientizar sobre os benefícios da caminhada e adotar medidas que recompensem os cidadãos por essa prática.


Introdução do tema do debate e de seus participantes.          Foto: Vinícius Lima Santos

Em adição a fala de Sabino, a cidadã Katia Mine relatou sua experiência com a caminhada. Mãe de gêmeos, ela têm de lidar com os desafios de locomoção que a cidade oferece:

            “Tudo ficou mais complicado agora que levo meus filhos comigo em um carrinho de bebê duplo. Passei a sentir mais como as falhas estruturais nas ruas e calçadas prejudicam, e refiz alguns de meus trajetos, pois mesmo demorando mais para chegar, passo por ruas melhores e mais arborizadas e desfruto da experiência com meus filhos.”

Pedro de Souza Rama, engenheiro atuando na Gerência de Desenvolvimento e Inovação Tecnológica da Diretoria de Operações da SPTrans e Joel Coelho, Engenheiro e Gerente do International Technical Services (ITS) da área de negócios Elevator da Thyssenkrupp para o Brasil e América Latina acrescentaram, mencionando o papel da tecnologia na mobilidade urbana no futuro. Pedro reforçou o esforço da SPTrans para adotar veículos elétricos e híbridos e aplicativos para os usuários se informarem sobre os itinerários de ônibus e destacou também como os corredores favorecem o trânsito e o cumprimento dos itinerários no horário. Joel apontou que a verticalização das cidades é parte de seu processo de crescimento, por isso tecnologia que facilite a locomoção dentro de edifícios é sempre necessária e que em certos casos também pode ser implementada em áreas públicas, usando como exemplo as esteiras da Thyssenkrupp na estação de metrô Consolação.

Independentemente das perspectivas dos participantes, todos chegam em um consenso quanto ao principal problema de mobilidade em SP e as mudanças necessárias para o futuro: o excesso de automóveis nas ruas e a orientação da cidade para favorecer o veículo. Além de piorar a qualidade de vida da cidade devido à poluição que geram, automóveis são transportes ineficientes em mover grandes quantidades de pessoas, não promovem interação social e são causas de inúmeros acidentes todos os anos. Esse debate, assim como muitos outros da Virada Sustentável, mostrou que as ideias para resolver os problemas do ambiente urbano são muitas, resta a realização delas pelos governos e instituições e a manutenção dessas medidas pela população. (Envolverde)

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