Costa do Descobrimento

Série: Muito Além do Verde

O tema do programa de hoje é a biodiversidade e as perspectivas de desenvolvimento sustentável num dos lugares mais bonitos do Brasil. Aliás, o lugar onde tudo começou há quinhentos anos: A costa do descobrimento.
Tão perto e tão longe dos olhos, a mata atlântica , ainda hoje, nos oferece o
seu espetáculo da vida.
No sul da Bahia e no norte do Espírito Santo, a região conhecida como a costa do descobrimento é hoje um dos um dos mais belos e ameaçados lugares do planeta.
Nos últimos cinquenta anos, o sul da Bahia assistiu a mais implacável e feroz destruição de suas florestas. Hoje, só restam 3,5% do que havia originalmente.
O que escapou da destruição, forma hoje um conjunto de areas que estão sendo preservadas.
Para se ter uma ideia da sua importância, a UNESCO acolhendo proposta do Ministério do Meio Ambiente, reconheceu a região como sítio do Patrimônio Mundial Natural.
Isso quer dizer que a preservação dessa floresta, interessa a toda humanindade.
É isso mesmo, Sítio do Patrimônio Mundial Natural. Assim como são reconhecidos prédios históricos, são, também, as regiões naturais. Por sua importância histórica e grande beleza.
A região da costa do descobrimento tem, também, valor histórico, pois é o marco da colonização do nosso país.
A impostância desse reconhecimento é que ele tem força de lei e se torna um compromisso do Brasil com o mundo.
A costa do descobrimento que vai desde a cidade do Una na Bahia até Regência no Espírito Santo.
No seu perímetro, encontram-se oito areas protegidas.
Na Bahia, a reserva biológica do Una ocupa uma área de 11.400 hectares.
Ela foi criada, principalmente, para proteger o habitat do mico-leão da cara dourada, ameaçado de extinção.
O seu acesso é restrito a cientistas e pesquisadores.
A estação Pau-Brasil do CEPLAC, dedica-se a pesquisa sobre recursos florestais da região.
A estação Vera Cruz com 6.069 hectares, pertence a empresa Vera Cruz Celulose.
A participação de empresas privadas é, também, fundamental para a preservação de remanescentes florestais.
O Parque Nacional do Pau-Brasil, criado em 1999, com 11.538 hectares, tem a maior população de árvores dessa espécie.
O Parque Nacional domina a paisagem com seu pico de 586 metros de altura. Recobertopor densas florestas com 13.872 hectares, tem enorme valor histórico por ter sido a primeira terra avistada pelos portugueses.
O Parque Nacional do Descobrimento criado em 1999, tem 21.129 hectares e abriga grande quantidade de pássaros.
No Espírito Santo, a reserva biológica de Sooretama, com 24.000 hectares, possui algumas madeiras raras e muitas espécies de primatas.
A reserva florestal de Linhares de propriedade da companhia Vale do Rio Doce com 22.777 hectares, é um centro de pesquisas junto com Sooretama forma a maior área extensa contígua da região.
Depoimento – Maurício Reis – Gerente de Meio Ambiente – CVRD:
“A Vale entende que preservar é um bom negócio. Razão pela qual está desenvolvendo, implementando o plano diretor de Linhares, que permite que a reserva seja aberta ao público que poderá, assim, visitá-la e conhecer o que o Brasil tem de mais avançado na área de pesquisa sobre ecossistema e sua reprodução”.
Mas o que a costa do descobrimento tem de mais importante para a ciência e para toda a humanidade?
Isolada geograficamente de outras florestas, a Mata Atlântica tem uma das maiores ftaxas mundiais de endemismo. Ou seja, palntas, animais e microorganismos que só ocorrem dentro dela.
Essa áreas são, portanto, verdadeiras arcas de Noé para garantir a preservação de inúmeras espécies.
A mistura de espécies, o regime das chuvas, a úmidade que garante o solo sempre abastecido de água, tudo isso contribuiu para que a Mata Alântica dessa região alcançasse um recorde impressionante de biodiversidade.
Depoimento – André Carvalho – Botânico – CEPLAC:
“O maior recorde de biodiversidade em plantas lenhosas foi registrado aqui, na região da Serra Grande Itacaré, num inventário que o nosso projeto fez. Nós achamos 458 espécies de plantas lenhosas por hectar”.
Quatrocentos e cinquenta e oito espécies por hectar. É díficil para um leigo avaliar o que isso significa. É um verdadeiro paraíso para os botânicos. E o mais importante é que só se conhece uma fração do que existe. Além de riquíssima, a floresta surpreende a cada vez que é pesquisada. Basta andar um pouco para descobrir que a mata caprichosa não seus segredo de uma só vez.
Depoimento – André Carvalho – Botânico – CEPLAC:
“A gente faz , por exemplo, inventários florestais distância de 50 quilômetros achou resultados completamente diferentes tanto de flora, quanto de diversidade, quanto de frequência. Então, não só a fisionomia da mata era diferente, mas a composição florística era diferente”.
E a costa do descobrimento explode em cores durante o ano todo: orquídeas e bromélias emolduram os troncos e galhos das árvores e perfumam o ar.
A riqueza da biodiversidade, também, se expressa na fauna da região, No chão, na copa das árvores ou nos ares. A Mata Atlântica exibe seu leque de cores e formas. Quanto mais se pesquisa, mais surpresas se oferecem. O olho minucioso da ciência revela a vida íntima da floresta. Pequenos insetos que fazem o trabalho miúdo que vai tecendo a teia da vida.
Nos galhos agarram-se cipós e musgos na busca da luz ou da sombra. No chão um tapete de folhas que cobre o solo com alimento que vai nutrir as árvores. A competição é longa e paciente. O tempo escorrem anos e séculos. Algumas espécies vão se destacando, por seu porte majestoso.
Árvores com mais de 30 metros, são verdadeira rainhas da floresta.
Depoimento – Daniel Sette – Gerente Meio Ambiente – VERACEL

“Esse exemplar mesmo, a gente calcula que tenha mais ou menos uns seiscentos anos. Quer dizer que quando Cabral chegou aqui, elas já estavam aqui. É típica de florestas primárias”.
Por serem maiores, árvores como essas, são as mais procuradas. Algumas madeiras nobres foram perseguidas palmo a palmo durante décadas. O jacaranda, a péroba, a surupira, a massaranduba, quase desimadas. De tão raras, outras espécies chegam a ser falsificadas como é o caso da braúna procurada pela sua coloração escura.
Depoimento – Lourival Brasilino – Operário de campo – CEPLAC
“Eles fazem a madeira ficar preta como é o caso do louro casca preta. É uma madeira branca. Eles botam no sol e ela fica pretinha e vai vendida como a mesma braúna”.
O seu Brasilino dedica a vida a proteger as árvores. Árvores como o pau-brasil de onde o nosso país, assim como o seu Brasilino, devem o próprio nome.
A saga do pau-brasil, é o emblema maior da destruição da mata atlântica.
Cada árvore remanescente na região, é uma milagrosa sobrevivente da mais espantosa perseguição sofrida por uma espécie.
Calcula-se que só nos primeiros cem anos, dois milhões de árvores foram levadas para a Europa, para a fabricação de corantes e a construção de navios.
A media de retirada era de 20 mil árvores por ano.
Era o pau-brasil que pagava o custo das grandes viagens oceâncias. Mas a destruição foi tanta que em 1605, um decreto real determinou o controle do corte com a criação da função de guarda-florestal. Essa foi a primeira norma ambientalista que se tem notícia no Brasil.
Hoje, há um grande esforço para o replantio do pau-brasil. No CEPLAC, viveiros de mudas mutiplicam por milhares a vida da especie. Mas o pau-brasil, símbolo histórico da destruição da vida, retribui tanto descaso no passado com uma generosidade que só a natureeza pode ofertar.
A pesquisa é uma das chaves para a compreensão da importância da floresta.
Da reserva biológica do Una, a distância faz avançar o conhecimento sobre os bichos e as plantas.
Depoimento – Saturnino Neto – Chefe do Rebio – Una/Ibama
“Além do trabalho com o mico leão , existe , aproximadamente, 14 projetos de pesquisa.
Eu acho que a reserva tá começando a se abrir agora para toda comunidadecientífica. Os estudos estão começando agora e eu acho isso muito interessante e importante pra reserva, porque nós vamos ter subsídios técnicos e conhecimento biológico para o melhor manejo”.
O trabalho de pesquisa é lento e rigoroso. Mas, na costa do descobrimento para onde quer que se olhe, novas descobertas são feitas.
Depoimento – Rudi Laps – Projeto Resta Una
“Uma das especies assim, que seria ao meu ver, uma das especies masi interessantes é o urutal de asa branca. É uma espécie que foi descrita a muito tempo atrás: 1830, na década 1830, pelo príncipe Maximiliano de Wied e desde então, nunca mais foi encontrda. E foi descrito aqui da região do sul da Bahia. Posteriormente, foi encontrada ela na amazônia, foi identifcada na amazônia e através de seu canto foi possível encontrar essa espécie aqui dentro da reserva”.
Governos, ONGS e empresas privadas estãoinvestindo na preservação e no desenvolvimento sustentável da costa do descobrimento. O envolvimento da sociedade, em especial, das comunidades do entorno das áreas protegidas é fundamental.
Nas reservas indígenas da região, os pataxós cultivam suas tradições.
Depoimento Kurupixá – cacique pataxó
‘A gente quer fazer o que era antes. Porque antes a gente convivial no meio da floresta sem atrapalhação de nada. E hoje, a terra tá toda descoberta. Então, a gente fica um pouco meio sentido dentro da gente, porque a gente quer voltar ao passado da gente. Então, a gente vem lutando em cima disso aí. Cada vez… o nosso trabalho mesmo em si, hoje, é preservar o meio ambiente”.

“O nosso objetivo é esssa mata toda preservada, entendeu. É que um dia precisar dos índios que tão lá no norte, que precisar dos índios já tão feito o curso na brigada decombate de incêndio. Aonde precisar, nós tamo lá, entendeu? Pra preserva pra cuidar”.

Agora você já sabe porque a costa do descobrimento é um patrimônio para toda a humanidade. Nós, brasileiros, temos a responsabilidade de preservá-la. E a preservação de todo esse patrimônio é um belo exemplo de como a união entre governo, iniciativa privada e comunidade pode significar um grande passo rumo ao desenvolvimento sustentável.

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